Em um mundo cada vez mais interconectado, a geopolítica se consolidou como um dos principais impulsionadores das dinâmicas econômicas globais. Ignorar essa transformação equivale a subestimar riscos capazes de abalar mercados e estratégias de investimento.
Este artigo explora como riscos geopolíticos estruturais afetam ativos financeiros, commodities e decisões de política pública, oferecendo insights para investidores, gestores e formuladores de políticas.
Em 2025, o cenário político internacional será marcado por eventos de grande relevância que podem alterar fluxos de capital e graus de incerteza.
Conflitos armados permanecem como vetores de volatilidade nos mercados de commodities e de crédito.
Na Ucrânia, a disputa territorial continua gerando flutuações nos preços de energia e metais básicos. No Médio Oriente, tensões em Síria, Gaza e Líbano afetam expectativas de oferta de petróleo. Além disso, ataques recentes a instalações nucleares no Irã levaram o barril de Brent aos patamares de cinco meses atrás.
As commodities permanecem sensíveis aos desdobramentos geopolíticos, exigindo monitoramento constante.
O petróleo ainda responde por um terço da energia global. Apesar do avanço dos veículos elétricos, a dinâmica política no Oriente Médio e a competição entre grandes produtores mantêm o preço do barril sob influência direta de eventos militares e negociações diplomáticas.
Ao mesmo tempo, tendência de preços mais baixos tem sido observada devido ao aumento da oferta fora da OPEP, com o Brasil, os EUA e a Guiana compensando cortes de produção.
Além disso, a transição energética gera demanda crescente por alternativas:
O cobre, vital para infraestrutura elétrica, e o ouro, procurado como porto-seguro, também refletem decisões de bancos centrais e investidores que buscam proteção contra choques externos.
As tensões tarifárias iniciadas pelos EUA provocam uma possível ruptura no sistema multilateral de comércio.
A política tarifária dos EUA levou a retaliações e ajustamentos de cadeias de valor global, estimulando um ambiente de multipolaridade e abrindo espaço para protagonismo chinês e de potências emergentes.
Em abril de 2025, mercados reagiram negativamente, mas em julho o impacto aparente perdeu força, sugerindo que investidores não preveem efeitos devastadores de longo prazo mesmo com aumentos de tarifas sobre importações chinesas.
O aumento dos orçamentos militares na Europa reflete uma nova postura de segurança coletiva.
Em março de 2025, a Alemanha anunciou um pacote de 500 bilhões de euros em nova dívida para reforço de defesa e infraestrutura, provocando a maior queda diária na dívida soberana desde a reunificação.
A Comissão Europeia propôs plano de rearmamento de 800 bilhões de euros em quatro anos, com cláusula de escape nacional que permite endividamento adicional de até 1,5% do PIB.
A Espanha também prepara aumentos no gasto militar, alinhada à tendência de reavaliação das capacidades defensivas regionais.
Em um movimento de estímulo moderado, o Federal Reserve reduziu a taxa dos Fed Funds em 0,25 ponto percentual, sinalizando preocupação com o arrefecimento econômico sem descontrole inflacionário.
Essa decisão trouxe alívio aos mercados de capitais, mas a inflação permanece acima da meta, exigindo equilíbrio entre política e economia.
O PIB global deve avançar cerca de 5,2% em 2025, suportado por consumo resiliente e investimentos em tecnologia.
No entanto, alguns riscos merecem atenção especial:
Em síntese, a geopolítica se firmou como variável central na formação de expectativas de mercado. Compreender essa interação é essencial para construir diretrizes estratégicas de alocação de recursos que resistam a choques externos e aproveitem oportunidades emergentes.
Investidores e gestores devem manter vigilância contínua aos fatores políticos e militares, ajustando carteiras e políticas corporativas de acordo com cenários alternativos. Dessa forma, estarão melhor preparados para navegar em um ambiente global instável e em constante transformação.
Referências